A Defensoria Pública do Estado do Pará (DPE) determinou um prazo de cinco dias úteis para que a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) forneça esclarecimentos sobre a greve dos anestesistas em Belém. A paralisação, que começou em 1º de junho, é resultado de salários atrasados e está impactando gravemente os serviços médicos na cidade.
Cerca de 120 anestesistas, conforme informações da Sociedade de Trabalho dos Anestesiologistas do Pará (Stap), aderiram à paralisação, afetando diretamente hospitais da rede municipal, incluindo unidades conveniadas ao Sistema Único de Saúde (SUS). A falta desses profissionais resultou na suspensão de cirurgias eletivas em várias instituições, como o Hospital Ordem Terceira e o Pronto-Socorro Municipal do Guamá.
Em um ofício encaminhado à Sesma, o Núcleo de Atendimento Especializado da Criança e do Adolescente (Naeca) da DPE requisitou informações sobre os débitos pendentes com os anestesistas, o número de procedimentos cancelados e as medidas que estão sendo tomadas para resolver a situação. A ausência de respostas da Sesma até o momento intensifica as preocupações em torno da crise na saúde pública.
A crise não se limita apenas às cirurgias eletivas; ela também afeta serviços de urgência e emergência. No Pronto-Socorro Mário Pinotti, o atraso nos repasses financeiros a empresas terceirizadas resultou na suspensão de atendimentos em áreas críticas como neurocirurgia, traumatologia e ortopedia. Funcionários do hospital relataram que o sistema de emissão de laudos de exames está paralisado devido à falta de pagamento, e há riscos de desligamento de equipamentos essenciais para diagnósticos.
A situação tem gerado um clima de desespero entre os pacientes internados. Elisângela Franco Cunha, de 49 anos, que chegou ao Pronto-Socorro com um aneurisma e hemorragia, enfrenta dificuldades para conseguir a transferência para um leito de neurocirurgia. Seu filho, Gabriel Cunha, tem lutado em vão por essa transferência. Similarmente, Karla Moreira relata a angustiante situação de seu marido, que sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Mesmo com uma ordem judicial para sua transferência, o pedido não foi atendido.
Diante do aumento das reclamações, a Defensoria Pública da União (DPU) anunciou que poderá mudar a estratégia das ações legais contra a prefeitura e a Sesma, buscando responsabilizar os gestores públicos diretamente envolvidos na administração da saúde. O defensor público Marcos Teixeira destacou a importância de garantir os direitos dos cidadãos e a continuidade dos serviços essenciais.
A situação dos anestesistas em Belém reflete uma crise mais ampla no sistema de saúde, com impactos diretos na vida de muitos pacientes. A resposta da Sesma à DPE será crucial para determinar os próximos passos e a possível recuperação dos serviços afetados. A comunidade aguarda ansiosamente por soluções que possam restaurar a normalidade na prestação de cuidados médicos.
Fonte: https://g1.globo.com
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