Um caso de laqueadura realizada sem a devida autorização está gerando repercussão em Rondônia. O Conselho Regional de Medicina do estado (Cremero) decidiu abrir um processo ético-profissional para apurar a conduta de três médicos, em resposta a uma denúncia feita por uma mulher que afirma ter sido submetida ao procedimento durante um parto na Maternidade Municipal de Ji-Paraná em 2021.
A mulher, que deu à luz em 2021, relatou que a laqueadura foi executada sem seu consentimento enquanto ela passava por uma cesariana. O casal envolvido na denúncia afirma que o médico responsável informou que realizaria o procedimento mesmo sem autorização, levantando sérias questões sobre a ética médica e os direitos do paciente.
Após a análise inicial da denúncia, a conselheira Andrea Barbieri de Barros apurou que havia indícios suficientes para investigar mais a fundo as ações dos médicos Eliedson Vicente de Almeida, Jozelida Bitencour Miranda da Silva e Geraldo Carvalho de Alencar. A abertura do processo não implica em culpa, mas sim na necessidade de averiguar se houve violação do Código de Ética Médica.
A médica Jozelida Bitencour Miranda da Silva, que participou da cirurgia como auxiliar, defendeu sua atuação, alegando que a paciente apresentava um quadro grave de pré-eclâmpsia, o que justificou a decisão do obstetra de realizar a laqueadura durante a cesariana. Por outro lado, Eliedson Vicente de Almeida, o médico responsável, afirmou que a urgência do caso levou à realização da cesariana e disse que a paciente teria concordado verbalmente com a laqueadura, embora não houvesse um consentimento formal assinado.
No caso de Geraldo Carvalho de Alencar, o relatório do Cremero apontou falhas no prontuário médico, que não continha informações essenciais sobre as queixas da paciente e as condutas adotadas durante o atendimento. Essas lacunas levantam questionamentos sobre a forma como os procedimentos foram registrados e se as normas de atendimento foram seguidas.
A abertura do processo pelo Cremero foi recebida pelo casal como um passo positivo na busca por justiça. Fabio Rodrigues dos Santos, pai da criança, expressou sua esperança de que os médicos sejam responsabilizados se as irregularidades forem confirmadas. Ele destacou o impacto emocional que a situação causou na família, especialmente em sua esposa, que havia planejado ter mais filhos.
Silvanei Alves Pereira, a mãe da criança, relatou que ainda vive com as consequências emocionais do episódio. Ela enfatizou a tristeza que a situação trouxe para suas vidas e reiterou seu desejo de que a investigação ética traga clareza sobre os fatos e leve em consideração os danos causados pelo procedimento realizado sem consentimento.
Em 2025, Eliedson Vicente de Almeida foi condenado pela Justiça a dois anos de reclusão, além de uma multa de R$ 404, em razão de sua conduta durante o atendimento à paciente. A pena foi inicialmente fixada em regime aberto, substituída por restrições de direitos, incluindo a proibição de frequentar certos estabelecimentos.
Com a investigação em andamento, a expectativa é que o Cremero examine profundamente as evidências e as alegações feitas pelo casal. O desfecho deste caso poderá não apenas trazer justiça para a família, mas também servir como um alerta sobre a importância do consentimento informado e da ética na prática médica.
Fonte: https://g1.globo.com
Aproveite para compartilhar clicando no botão acima!
Visite nosso site e veja todos os outros artigos disponíveis!