Um trágico acidente na avenida Ville Roy, em Boa Vista, resultou na morte da técnica em enfermagem Patricia Melo da Silva, de 53 anos, após ser atropelada por uma caminhonete. O caso, que ocorreu na noite de 4 de fevereiro, está sendo investigado pela Polícia Civil e gerou controvérsias em relação à atuação da Polícia Militar no local do incidente.
O cabo da Polícia Militar, Fernando Cordeiro Ledo, que estava de plantão na noite do acidente, declarou em depoimento que não considerou necessário acionar a perícia. Ele justificou essa decisão afirmando que os veículos envolvidos foram deslocados do local, o que, segundo ele, tornava a investigação menos pertinente. No entanto, evidências coletadas, incluindo vídeos e fotos, indicam que a motocicleta de Patricia ficou presa ao para-choque da caminhonete.
Amanda Kathryn Monteiro de Souza, de 19 anos, filha de um capitão da PM, era a motorista envolvida no acidente. Apesar de não ter realizado o teste do bafômetro e ter sido liberada no local, a situação levantou questões sobre a possibilidade de embriaguez. Durante o depoimento, o cabo Ledo afirmou que não havia suspeitas de que Amanda estivesse sob efeito de álcool, classificando o acidente como um caso de lesão corporal.
Duas testemunhas, uma mulher de 35 anos e um motoboy de 37 anos, relataram momentos críticos do acidente. A mulher afirmou que ouviu Amanda se identificar como 'filha de capitão da polícia' e observou que a atitude dos policiais mudou após a declaração. Ambos os testemunhos mencionaram que Amanda reconheceu ter consumido álcool antes do acidente, o que contradiz a defesa que alegou que Amanda não apresentava sinais de embriaguez.
A Polícia Civil informou que o inquérito sobre o acidente está em fase final de conclusão, com a ausência de perícia sendo um foco central da investigação. A corporação também destacou que possíveis responsabilidades de agentes públicos serão examinadas conforme a legislação, cabendo ao Ministério Público de Roraima tomar as medidas apropriadas.
A morte de Patricia Melo da Silva, que chegou ao hospital em estado grave e faleceu às 01h37, repercutiu na comunidade. Ela era uma profissional respeitada na área da saúde e seu falecimento trouxe à tona questões sobre a segurança no trânsito e a necessidade de procedimentos rigorosos na apuração de acidentes. O incidente não apenas devastou a família de Patricia, mas também suscitou um debate sobre a atuação da polícia em casos que envolvem indivíduos em posições de destaque.
O acidente na avenida Ville Roy expõe a complexidade dos acidentes de trânsito quando envolvidos membros de forças de segurança. A falta de uma perícia adequada e as decisões tomadas no local do acidente poderão influenciar a forma como casos semelhantes são tratados no futuro. A sociedade aguarda respostas que possam esclarecer as circunstâncias do ocorrido e garantir que a justiça seja feita.
Fonte: https://g1.globo.com
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