Wolbachia: Mosquitos Transformados em Aliados no Combate à Dengue em Porto Velho

Wolbachia: Mosquitos Transformados em Aliados no Combate à Dengue em Porto Velho

Em uma iniciativa inovadora, a cidade de Porto Velho adota o método Wolbachia, que transforma o Aedes aegypti de vilão em aliado na luta contra arboviroses como dengue, chikungunya e zika. Essa abordagem, reconhecida internacionalmente, utiliza mosquitos infectados com uma bactéria natural que impede a transmissão dos vírus responsáveis por essas doenças.

O Que É o Método Wolbachia?

O método Wolbachia consiste na liberação de mosquitos que carregam a bactéria Wolbachia, uma presença comum em mais de 50% dos insetos na natureza. Esta bactéria atua como um bloqueio, tornando o Aedes aegypti incapaz de transmitir os vírus causadores das arboviroses. A estratégia é baseada na propagação natural da bactéria entre a população de mosquitos, sem qualquer alteração genética ou uso de substâncias químicas, garantindo sua segurança, com aprovação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Resultados Promissores em Outras Regiões

Experiências anteriores com o método já mostraram resultados significativos em outras localidades. Em Niterói, no Rio de Janeiro, por exemplo, a técnica levou a uma redução de até 89% nos casos de dengue. Outras cidades, como Joinville e Campo Grande, também reportaram melhorias na situação epidemiológica após a implementação do Wolbachia.

A Implementação em Porto Velho

A execução do projeto em Porto Velho está a cargo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com o Ministério da Saúde e operada pela Wolbito Brasil. O pesquisador Diogo Chalegre, que supervisiona as etapas do processo, enfatiza a importância de tranquilizar a população durante a liberação dos mosquitos. Ele garante que os mosquitos liberados são visualmente idênticos aos comuns, mas possuem um 'escudo' biológico que os torna incapazes de transmitir doenças.

Fases do Projeto

O projeto será dividido em duas fases. A primeira envolve a comunicação e engajamento da comunidade, com o objetivo de educar 276.393 pessoas em 27 bairros. Serão realizadas visitas a escolas, unidades de saúde e outros espaços públicos, além de campanhas na mídia local. A segunda fase iniciará a liberação controlada dos 'wolbitos', com cerca de dois milhões de exemplares sendo soltos semanalmente ao longo de 26 semanas.

Expectativas e Monitoramento

O monitoramento será essencial após a fase de liberação. Os cientistas esperam observar resultados iniciais em até 26 semanas, com a expectativa de que a população de mosquitos com Wolbachia esteja estabelecida, resultando em uma redução significativa na transmissão das doenças em um ou dois anos. Chalegre ressalta a importância da continuidade das medidas tradicionais de prevenção, como a eliminação de focos de água parada, para garantir que o combate à dengue seja eficaz.

Produção dos Mosquitos

Os mosquitos utilizados na iniciativa são produzidos em um novo insetário da Fiocruz em Rondônia. O espaço está equipado para criar os insetos desde a fase larval até a idade adulta, garantindo a quantidade necessária para o projeto. O funcionamento do insetário ocorrerá diariamente durante seis meses, período que coincide com a fase de liberação dos mosquitos na cidade.

Conclusão

Com a introdução do método Wolbachia em Porto Velho, espera-se não apenas uma diminuição nos casos de dengue, mas também uma conscientização maior entre os cidadãos sobre a importância da prevenção e controle das arboviroses. A colaboração entre a comunidade, as autoridades de saúde e a ciência será fundamental para o sucesso dessa iniciativa inovadora.

Fonte: https://g1.globo.com

Redação 👨‍⚖️​ Wilson Marinho

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